quinta-feira, 21 de julho de 2016

Reencontro

Tudo começou na noite anterior, aquele sentimento de procurar algo que não existe, de querer ter uma coisa que não me pertence e de querer compartilhar algo indivisível, percebi ser aquele sentimento de quando encontrava com a Carência. Apesar desse sentimento, permaneci em um encontro com as palavras divertidas que trocava em mensagens com o Amor.

No dia seguinte, continuei com o sentimento estranho em mim, mas com menor intensidade e com uma certa curiosidade. Como seria reencontrar esses momentos com a Carência?

Então resolvi mandar uma mensagem apenas com um sorriso para ela, e ela, sem pestanejar, convidou-me para ir a sua casa. Há tanto tempo não nos víamos, não é mesmo?

Resolvi que a iria encontrar. Para isso, resolvi tomar um banho e lavar os cabelos pela noite, o que nunca me é aconselhável, pois sempre me resfrio com facilidade. Logo ponderei:

- Vai mesmo fazer isso para a Carência?

Insisti, já havia confirmado que iria.

Enquanto comia, a Carência me mandou uma mensagem:

- Se vier para não compartilhar das minha vontades ou para falar daquele tal de Amor, nem venha. Não estou aberta para isso.

- Poxa, estou indo de bom grado, mas se não quiser, não vou.

- Não, tudo bem, uma companhia é sempre agradável - disse sorrindo.

A ida foi longa, tinha trânsito e até errei o caminho. Com certeza já não sabia onde ela morava. Ainda sim, curti a lua e o lugar onde ela resolveu se esconder, perto de uma mata, cheia de olhos d'água.

Ao chegar, ela me perguntou um pouco indignada:

- Como conseguiu errar o caminho?!

- É que eu nunca andei por aqui e é um lugar grande.

Apesar de incomodada, recebeu-me bem. Morava em uma casinha aos fundos de outra, era confortável e totalmente equipada para qualquer perrengue, afinal, vai que tem uma guerra?
Mas mais tarde me falou que essa precaução era porque já havia sofrido, não queria ter experiências ruins de novo.

Tinha necessidade de companhia, pois começou a despejar seus conhecimentos sem dar brechas para conversa. Com isso, percebi que queria mesmo era uma platéia. Presa em suas vaidades, falou-me sobre tudo o que eu não era, tudo o que eu não entendia sobre música, tecnologia, espiritualidade e tantas outras coisas mais, para mostrar o quanto ela era especial e inatingível. Queria tanto falar, que nem percebeu o quão desinteressante sua conversa acabava sendo.

Em certo momento decidiu mostrar uma gravação que falava sobre paciência. Fiquei feliz pois finalmente ela ficou quieta, e pude interagir com algo de forma mais serena. Dei-me conta que apesar de chata, seria possível aprender coisas interessantes com ela, era só uma questão de paciência.

Permaneci ouvindo, sendo a platéia espantalho, captando as informações que me eram úteis. E sempre que eu tentava interagir, ela não aceitava, não entendia, ou principalmente, simplesmente não se envolvia. Nos breves momentos em que nos conectamos, vi que não queria sair de seu mundo, e ainda me chamou de doida, só porque eu propunha uma outra forma de pensar.

Não fez nenhum esforço em tentar me compreender, acredito que pensava ser especial demais, e nem ao menos percebeu que eu era a única pessoa que se dispôs a ouvir. Acho que a Carência sempre teve disso, nunca quis realmente ouvir outros pontos de vista, apesar de adorar uma platéia. Vai entender...

Tentei uma última aproximação, que foi logo rebatida de tal forma que só pude silenciar. Esperei algum tempo até que ela pegasse no sono. Neste momento, o zumbido dos mosquitos foram a companhia mais sincera que encontrei naquela noite, perturbando meu silêncio tentavam me convencer de que aquela era uma boa troca. Não podiam se fartar de si mesmos como a Carência.

Depois disso, finalmente fui embora. Abri e fechei porta por porta, do quarto, da casa e do portão. Não havia qualquer motivo para que eu permanecesse ali, não teria porque insistir. A Carência já não me é mais companhia, já não sou mais público vivaz de suas histórias. Tornou-se impermeável a mim, pois não compartilha de quem tem o Amor como companhia.

Na estrada vi uma capivara, no quintal brinquei com o filhote de cachorro, vi a lua branca, e ouvi o barulho da fonte, então vi que o Amor havia mandado uma mensagem no meio da noite para lembrar que estava ali para mim. A paz de estar em casa.

domingo, 17 de julho de 2016

A flor que dá no ser

Onde eu enterrei tristeza
Veio a mãe terra com amor
Sob a calor do luar
E transformou em flor

Onde eu enterrei angustia
Veio a mãe terra com amor
Sob a calor do luar
E transformou em flor

Graças a mãe terra
Eu pude florescer
Para transformar a dor
Em frutos doces de amor

Onde eu enterrei mentira
Veio a mãe terra com amor
Sob a calor do luar
E transformou em flor

Onde eu enterrei raiva
Veio a mãe terra com amor
Sob a calor do luar
E transformou em flor

Graças a mãe terra
Eu pude florescer
Para transformar a dor
Em frutos doces de amor

Onde eu enterrei orgulho
Veio a mãe terra com amor
Sob a calor do luar
E transformou em flor

Onde eu enterrei ingratidão
Veio a mãe terra com amor
Sob a calor do luar
E transformou em flor

Graças a mãe terra
Eu pude florescer
Para transformar a dor
Em frutos doces de amor

Grat@ a mãe terra
Porque pude florescer
E os meus frutos de amor
Aos meus irmãos oferecer

Graças a mãe terra
Nós pudemos florescer
Para transformar a dor
Em frutos doces de amor

Grat@s a mãe terra
Porque pudemos florescer
E nossos frutos de amor
Aos nossos irmãos oferecer


*de dia trocar "luar" por "sol"