Quem tu és, anjo?
Quando vive em meio a mais terrena das terras?
Que te trouxe ao mundo?
Que te gerou no ventre de barro?
Quem tu és, anjo?
Ao se deparar com a boemia?
Ao viver como eles?
Ao interminável e entorpecente bacanal?
Quem tu és, anjo?
Ao perceber que faz parte terra?
E que acima do solo tudo é céu?
Que o véu cobre as mazelas em meio a grinalda?
Quem és tu, anjo?
Sabes de onde vens?
Sabes por que vens?
Não se confundes nas odes?
Odes de amor, de terror, de dor?
Confundes tua missão?
Teus sins e teus nãos?
Sabes donde pisas?
Estás seguro agora?
Quem és tu, anjo?
Ao se deparar com teus demônios?
Permaneces anjo, mesmo em sombra de tuas asas?
Mesmo em porre de realidade?
Mesmo em choque do ser?