segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Parábola de Jesus Menino

Outro dia perguntei ao Jesus criança:
- Meu menino, o que é a esperança?
Sem demorar, uma parábola desatou a falar.
- Que bom o senhor perguntar, pois tenho um sonho para contar:
"Sonhei que era menina, e com Francisco chupava lima.
Quando a boca azedou, uma pomba passou e ele me perguntou:
- Sabe menina o que é a pomba branca?
E sem mais continuou:
- Pomba branca é o amor travestido de esperança.
Corri a cozinha para contar ao Benedito, que me falou como um rito:
- E sabe menina, às vezes o amor dá uma trocada por um prato cheio de cocada.
Então corri para Maria - que não era mãe minha - e mesmo assim, sorrindo dizia:
- Eu até gosto de cocada, mas amor para mim é uma mãe preocupada.
José entrou e disse:
- Para mim o amor é o canto de um sonhador, que mesmo longe do ninho, nunca deixou de ser passarinho.
Aí veio um anjo e me falou baixinho:
- Menina, pomba branca também é passarinho!"
Terminou Jesus menino, contando o sonho rindo.
- Depois perguntam como sou tão sabindo...
- É que eles não perceberam que para mim, o amor é o pateta poeta, que faz piada da sua trapalhada usando rima errada. Enquanto a esperança, senhor, é sua doce criança - menina que chupa lima - que muito se atente: vive sem medo de errar o momento presente.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Aborto a prestação

Uma mãe apedrejada,
Um pai excomungado,
Ou fugido, corrido
Numa casa engraçada,
sem teto, nem nada
Família de papel, se dissolve na água
Quem se importa se era desestruturada?

Não tem educação
Saúde, comida,
Nenhuma salvação

Mas feto inocente
Tem que nascer
E aquele delinquente
Tem que morrer

A mãe condenada
De útero violentado
E a sociedade de agulha afiada
Não deixaram tirar e agora vão matar
Atira no delinquente, e cospe:
Sempre foi indesejado.

Só queria te lembrar:
Todo delinquente, já foi feto inocente.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Mudando de assunto

Sinto falta de conversas profundas, que não levam muito além da próxima galáxia, regadas aos estimulantes entorpecentes. Cheias de autênticos tédios, engolidos de cotidianos e rotinas. Suspiro pesado, abrandado pelo sentir que nos une em inverdade dos patéticos eus (que eram sabidos, e talvez em 1% sábios) ... (...):

- Sabia que o sabiá sabia assobiar?

- Sábio o sabiá que assobiou ao invés de falar.

- Sabidamente assobiou sabático assobio de sabedoria.

- Sabiá subia subida, assobiando súbita sabedoria.

- Sabia que o sabiá sabia saborear?

- Só se salsa!

- Salada? Ai se sesse!

... (...).
Desse jeitinho mesmo.