Sentiu o gosto da erva, sentiu o calor do líquido. Sentiu os sabores e sensações se misturando.
Então tocou seus braços e barriga com delicadeza.
Sua pele arrepiou, como se uma suave corrente elétrica passeasse por ela.
Depois molhou os dedos no chá e provou na língua.
Pegou a xícara, era bom sentir o calor em seu ventre. Instintivamente caminhou a mesma pelo resto do corpo, tocou os seios e anseios, queria se sentir mulher. Desceu e se acariciou sem se tocar, o calor dos chás a fez tremer.
Nunca havia sentido tão delicado prazer. Nunca havia sentido prazer algum.
Começou a chover lá fora. Não soube ao certo o que fazer, queria sair correndo sob ela no mesmo instante, mas deveria?
Hesitou. Hesitou mais um pouco, e por fim pensou que se não fosse naquele momento a chuva passaria e depois se ressentiria.
Correu para a chuva, brincou com a água se molhando de corpo e alma.
Era tanta liberdade que mal sabia o que fazer com ela, precisava se sentir viva!
Começou a correr sem pensar... Nem lembrou que não era "normal" uma garota correndo de pijama na chuva. Parou de repente, mas não porque quis. Um baque, alguém a segurou.
- Chapeuzinho, porque corres tão rápido pela floresta na chuva?
- Chapeuzinho? Estranhou ela, sem perceber quem a segurava.
- Ora, não é você quem vive com capa com gorro vermelho? Chapeuzinho vermelho?
Virou então para olhar, quem a segurava tinha pelos pelo corpo todo, no rosto viu a face de um lobo. Quis gritar, mas sua voz não saiu. Conseguiu dizer rouca:
- Eu, chapeuzinho vermelho? Lobo mau?!
- Sim, chapeuzinho. Lembra de mim? - apertando
Não percebeu em que momento tudo passou a fazer sentido, nem como. Apenas sentiu conforto no abraço do lobo vindo por trás. Perguntou:
- Por que todos esses pelos lobo mau?
- Para te esquentar mais, respondeu.
- E este focinho lobo?
- Para sentir o cheiro de seu corpo. - Roçando os pelos do rosto em sua nuca.
Arrepiou, sentiu como frio o que era desejo.
Tudo parecia ter velocidade de uma música de baião. Mas ela não sentia a urgência da cadência rápida. Conduziu no mesmo ritmo.
- Lobo, se sou chapeuzinho vermelho, onde está minha capa?
Percebeu o lobo querendo ser solícito, percebeu nele uma ovelha. Apesar de gostar do lobo, percebeu também que aquele não era seu mundo, o lobo não era bom e não pertencia a ela.
Aproveitou que ele a soltou para procurar a capa, e saiu correndo mais uma vez na chuva. Parou e respirou fundo, olhou para trás para ter certeza que ele não a seguira. E por mais que o quisesse rever, sabia: nunca viria, como nunca veio, e era melhor assim.
Sentindo os pingos frios foi para casa tomar um banho quente. Pensou em tudo o que acontecera naqueles últimos instantes.
Todos os sabores e prazeres, todos os desamores, todas suas fantasias de menina, todas suas fantasias de mulher. Como aquilo acontecera?
Sentiu nojo.
Deitando em transe de cansaço tomou seu chá frio e com ele esfriou.
Nunca havia sentido tão delicado prazer. Nunca havia sentido prazer algum.
Começou a chover lá fora. Não soube ao certo o que fazer, queria sair correndo sob ela no mesmo instante, mas deveria?
Hesitou. Hesitou mais um pouco, e por fim pensou que se não fosse naquele momento a chuva passaria e depois se ressentiria.
Correu para a chuva, brincou com a água se molhando de corpo e alma.
Era tanta liberdade que mal sabia o que fazer com ela, precisava se sentir viva!
Começou a correr sem pensar... Nem lembrou que não era "normal" uma garota correndo de pijama na chuva. Parou de repente, mas não porque quis. Um baque, alguém a segurou.
- Chapeuzinho, porque corres tão rápido pela floresta na chuva?
- Chapeuzinho? Estranhou ela, sem perceber quem a segurava.
- Ora, não é você quem vive com capa com gorro vermelho? Chapeuzinho vermelho?
Virou então para olhar, quem a segurava tinha pelos pelo corpo todo, no rosto viu a face de um lobo. Quis gritar, mas sua voz não saiu. Conseguiu dizer rouca:
- Eu, chapeuzinho vermelho? Lobo mau?!
- Sim, chapeuzinho. Lembra de mim? - apertando
Não percebeu em que momento tudo passou a fazer sentido, nem como. Apenas sentiu conforto no abraço do lobo vindo por trás. Perguntou:
- Por que todos esses pelos lobo mau?
- Para te esquentar mais, respondeu.
- E este focinho lobo?
- Para sentir o cheiro de seu corpo. - Roçando os pelos do rosto em sua nuca.
Arrepiou, sentiu como frio o que era desejo.
Tudo parecia ter velocidade de uma música de baião. Mas ela não sentia a urgência da cadência rápida. Conduziu no mesmo ritmo.
- Lobo, se sou chapeuzinho vermelho, onde está minha capa?
Percebeu o lobo querendo ser solícito, percebeu nele uma ovelha. Apesar de gostar do lobo, percebeu também que aquele não era seu mundo, o lobo não era bom e não pertencia a ela.
Aproveitou que ele a soltou para procurar a capa, e saiu correndo mais uma vez na chuva. Parou e respirou fundo, olhou para trás para ter certeza que ele não a seguira. E por mais que o quisesse rever, sabia: nunca viria, como nunca veio, e era melhor assim.
Sentindo os pingos frios foi para casa tomar um banho quente. Pensou em tudo o que acontecera naqueles últimos instantes.
Todos os sabores e prazeres, todos os desamores, todas suas fantasias de menina, todas suas fantasias de mulher. Como aquilo acontecera?
Sentiu nojo.
Deitando em transe de cansaço tomou seu chá frio e com ele esfriou.
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