Ele era das palavras, mas mais cético que São Tomé.
Ela era das contas, mas metida a esotérica de João Bidu.
Toda ciência para ele eram provas, que não entendia, mas acreditava.
Toda poesia para ela era natural, era visceral, e era ciência tal qual.
Juntaram-se para conversar e deu-se assim:
Onde ele via mágica, ela via números.
Onde ele via ciência, ela via poesia.
Onde ele via x, ela via y.
Onde ele via rima, ela via prosa.
Mas no fim concordavam, era tudo a mesma coisa. Metáforas de uma dualidade inexistente, mas impossível de inexistir.
E nessa dualidade estranha, eram a si mesmos e um ao outro. Rimavam-se em estrofes de matemática, e somavam-se em operações de poesia.
Não existiam metades, apesar de o serem. Eram parte de um todo tão completo de si sós, que apenas se completavam ainda mais - se é que existe disso.
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