quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Tolerância

Então me pego em pranto
Na carência me percebo vã
A raiva inquieta os sentidos
E o sangue teima em entupir
os sentimentos que afloram
Agora vai, desce, deixo fluir
a normalidade, o humano, o feminino
Descontrolo controladamente
Não nego mais o corpo
que o espírito escolheu
Tudo bem ser terreno
Desfruto desse momento
que mesmo decepcionante
É do corpo sujo que cresce a alma limpa.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Entregue-se à luz

A dor do enfado
O cansaço da vida
O desejo mórbido de não mais respirar

Por que não hoje?
Por que não agora?
Vem o trem que finda a luz do seu túnel

Jogar-se e morrer?
Correr o quanto der?
Subir e transitar a dor do renascimento

Da dor à cura
Do cansaço à paz
E o feliz alívio de ainda respirar

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Para 2015

2015
Prometa será um ano novo melhor
Prometo serei um humano melhor
Seremos melhores, sem promessas

2015
Esteja pronto de dias abertos
Estarei pronto de coração aberto
Estaremos abertos, mesmo incompletos

2015
Surpreenda a mim
Surpreenderei a você
Surpreenderemos o mundo, juntos

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Ad[estar]junto

Amizade: do adjunto apesar de
Apesar das dificuldades
Apesar das tristezas
Apesar da saudade
Apesar da pobreza
Apesar de brigar
Apesar de chorar
Apesar da distância
Apesar dos anos
Apesar de tudo
Nada disso a pesar

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Despertar

Acorda criança
Se informa direitinho
Leia os jornais
Pense com carinho

O que realmente importa para você?
E o que realmente importa para o próximo?
Você se importa com o amigo?
Ou só com o umbigo?

Defina seus valores
Defenda sua conclusão
Mas faça com argumentos
E não com imposição

Acorda criança
Saiba quem melhor te representa
Não perca esperança
Não se abata com massa opulenta

Exerça seu direito
Cumpra seu dever
Vote consciente
Respeite o que acontecer

Cobre o que necessita
Se ganhar ou se perder
Seja parte da mudança
Acorda agora minha criança

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A menina e as palavras

Sentindo o cheiro dos livros, sorriu.
Abraçou as palavras, chamou-as de amigas e carregou para todo lugar.
As palavras a ela - levou para países que não sabia existir, as cores da África, os sabores da Ásia, praias da Oceania, e danças das Américas. Oh, e até mesmo na Europa, os lisos pastos e  crespas florestas!
E ela as palavras - no carro, nos trens, ônibus e bicicleta. Até em um barco caso um dia navegasse - mas com todo cuidado, claro! Afinal, não poderia molhar as páginas, não aguentaria ver sua amizade desfeita em um borrão...